54 sextas-feiras




Hoje completam 54 sextas feiras desde aquele 1º de novembro de 2019, data em que estreei neste espaço que, hoje, é uma vitrine valiosa para o setor de alimentação fora do lar se comunicar com toda a população e informar a esta nossas principais causas, conquistas, lutas e reivindicações. Sei que ainda não estamos em dezembro, mês dedicado às retr


ospectivas, mas já inebriado por um sentimento nostálgico, resolvi antecipar a minha.


Lembro-me como se fosse hoje da primeira coluna. Iria falar sobre a candidatura de Belo Horizonte ao título de Cidade Criativa da Gastronomia, concedido pela UNESCO. Porém, aos 45 minutos do segundo tempo, quando o texto já estava pronto, decidi, por conta própria, mudar todo o conteúdo. O motivo foi bastante nobre: no breve intervalo entre o envio da primeira versão a este jornal e a devida publicação, BH conquistou a importante premiação. Sendo assim, já não fazia sentido falar da candidatura, e sim da conquista.


Nas outras sextas feiras que vieram, falei sobre os mais variados temas: desde a reforma trabalhista, o aniversário da nossa querida Belo Horizonte, que completou 122 anos em 12 de dezembro, a riqueza do queijo Minas artesanal, ao carnaval, que cada vez mais vem gerando renda e incrementando o turismo na cidade.


Como nem tudo são flores, logo no final de janeiro fomos surpreendidos pelas fortes chuvas que devastaram regiões inteiras da capital mineira. Mas o pior ainda estava por vir, dois meses depois, com a chegada do coronavírus. Em 20 de março, o setor de alimentação fora do lar começaria a enfrentar aquela que considero sua pior crise, a partir do decreto da Prefeitura Municipal que determinava o fechamento de bares e restaurantes para conter o avanço da doença.


Foram quase seis meses de portas fechadas que resultaram no extermínio de cerca de 30% das empresas do segmento e na demissão de 30 mil trabalhadores só em Belo Horizonte, o que nos obrigou a recorrer à Justiça por algumas vezes na tentativa de solucionarmos, ou pelo menos minimizarmos, o imbróglio instalado.


Depois de todo esse desgaste, que infelizmente deixou de ser uma crise sanitária para se transformar em um terrível jogo de interesses políticos/econômicos, no final de agosto/início de setembro eis que a flexibilização e a reabertura aparecem no horizonte. Acreditamos, inclusive, que este horizonte iria novamente se tornar belo, como sempre foi.


Porém, a estrada ainda parece incerta. Isso porque a adaptação a inúmeros protocolos, ao ‘novo anormal’, somados ao medo diário de um novo e possível fechamento, ainda nos tira do equilíbrio.

Quem diria que 2020 seria escrito dessa forma. Nem um filme de ficção científica teria um roteiro com tantos altos e baixos.


Espero que as próximas 54 sextas-feiras sejam mais leves. Bem mais leves!


Ricardo Rodrigues – Conselheiro Consultivo ABRASEL-MG e Coordenador da Frente da Gastronomia Mineira


Conteúdo originalmente publicado no jornal Hoje Em Dia

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