Canja de galinha

Conteúdo originalmente publicado no jornal Hoje Em Dia


Há mais de oito meses somos assombrados pelo fantasma da Covid-19. Ao longo deste tempo os dramas que enfrentamos foram imensos e, sobretudo, devastadores: fechamento do comércio em março, níveis recordes de desemprego, falência de empresas [só no setor de bares e restaurantes de Belo Horizonte, por exemplo, mais de 30% dos negócios foram dizimados].

A flexibilização iniciada neste segundo semestre chegou para todos como um alento financeiro e, ao mesmo tempo, trouxe para a população aquela falsa sensação de ‘liberdade’ cerceada pelo isolamento social imposto nos primeiros meses do ano.

Muitas pessoas, infelizmente, acharam e continuam achando que a reabertura da economia representa o fim da pandemia, o que é um grande equívoco. Basta uma volta rápida nas ruas para vermos, com espanto, o número alto de belo-horizontinos andando sem máscara, alheios ao distanciamento social. Isso sem falar das festas clandestinas, que colocam em risco não só os irresponsáveis participantes como também todos que convivem com eles.

Mais recentemente tivemos, também, as eleições, marcadas por muitas aglomerações no famoso ‘corpo a corpo’ dos candidatos com seus eleitores.

Esses dois fatores podem estar contribuindo para o aumento da taxa de infecção em nossa cidade, que atualmente está em 1,08, conforme boletim divulgado pela prefeitura nessa quarta-feira (25). Isso quer dizer que 100 pacientes contaminados transmitem o vírus para 108 pessoas, em média. Esses números, inclusive, já estão deixando a rede privada de saúde em BH altamente congestionada. Há hospitais particulares que já não estão atendendo casos suspeitos ou confirmados de coronavírus.

Diante de toda essa negligência [não há outra palavra para classificar o atual cenário], a ABRASEL e outros representantes do comércio darão início, na próxima semana, a uma campanha de conscientização para pedir à população que não deixe de frequentar os bares e restaurantes, muito menos evitar as compras de fim de ano, porém mantendo todos os cuidados.

A autorresponsabilidade é fundamental para que Belo Horizonte não retroceda. O próprio prefeito, Alexandre Kalil, disse em coletiva de imprensa essa semana que a falta de empatia e a ignorância podem, infelizmente, nos levar ao lockdown, o que não seria nada agradável em uma época na qual o comércio precisa vender para repor as perdas catastróficas colhidas durante o ano.

Por isso faço aqui a minha súplica: cuide de você, cuide dos seus para que ninguém seja prejudicado. A vacina está próxima. Vamos aguentar um pouco mais, que já já, acredito, a vida voltará ao normal. Ah, e por falar na canja do título, deixo aqui o ditado: Cautela e canja de galinha não fazem a mal ninguém. #ficaadica!



Ricardo Rodrigues – Conselheiro Consultivo ABRASEL-MG e Coordenador da Frente da Gastronomia Mineira

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