Coleta seletiva de lixo: postura ecológica e ótima para o bolso

Atualizado: Fev 11

*Conteúdo originalmente publicado no jornal Hoje Em Dia

A produção de lixo em Belo Horizonte cresceu 14% nos últimos anos, segundo dados da Superintendência de Limpeza Urbana (SLU). Em 2018 produzimos 689 mil toneladas, contra 603 mil [toneladas] em 2009. Outro alerta importante deste levantamento: houve queda de 4,6% na quantidade de resíduos destinados à reciclagem: de 6,5 mil toneladas para 6,2 mil toneladas no período.


Diante desses dados, é de extrema importância que os donos de bares e restaurantes, [setor que manda para o lixo 15% das 41 mil toneladas de alimentos desperdiçados, por ano, no Brasil], repensem sobre a necessidade mais que urgente de uma coleta seletiva verdadeiramente eficaz. Além de ser ecologicamente correta, a destinação responsável dos resíduos é benéfica, também, para o bolso do empresário.


O motivo é simples: a Taxa de Coleta de Lixo, cobrada pela Prefeitura, é mais cara para coletas de caráter comercial [quando o lixo tem acima de 120 litros ou 60 quilos, por dia de coleta, no período de 24 horas]. Isso sem falar que o ato de você, empresário, vender o vidro, o papel ou o plástico que iria para o lixo, gera renda para grupos que vivem da reciclagem. Portanto, esta é uma pratica benéfica para ambas as partes.


Para ser ainda mais didático, vou citar um exemplo: suponha que o seu estabelecimento tem uma coleta que varia, em média, 1 tonelada/mês. Se desses 1000Kg colhidos pela SLU, você repassar 500 para as associações de recicláveis ou pontos [de coleta] distribuídos pela cidade, irá reduzir drasticamente o valor da taxa cobrada sobre o lixo final, além de não correr o risco de pagar cobranças adicionais pelo sobrepeso dos resíduos.


E engana-se quem acha que só os grandes restaurantes devem ficar atentos quanto ao lixo produzido diariamente. Se a SLU constatar que o resíduo pesado no seu estabelecimento não é mais domiciliar, mensalmente você terá que pagar a mesma taxa que um grande empresário desembolsa referente a esse sobrepeso.


Diante dos argumentos acima, deixo o recado: o setor de alimentação fora do lar precisa enxergar que a entrega de um prato não consiste apenas no preparo e na entrega final para o cliente. Muito pelo contrário: hoje nós estamos diretamente envolvidos em uma cadeia extremamente completa e complexa, que começa na produção do alimento no campo, [seja pela agricultura familiar ou agroindústria], na entrega deste ao estabelecimento, no repasse ao consumidor final e, por fim, no descarte, a ponta do iceberg mais importante.


Portanto, que tal começar, hoje mesmo, a separar um cantinho no seu restaurante para guardar as garrafas Long Neck, as latas de alumínio, além de usar formas criativas de reaproveitar os alimentos? Como já disse, é ecológico e econômico.


Ricardo Rodrigues – Presidente ABRASEL-MG e Coordenador da Frente da Gastronomia Mineira

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