Como bem diz a bíblia

Coluna de Ricardo Rodrigues originalmente publicada no site do Jornal Hoje em Dia.


Diante de tudo que vem acontecendo em Belo Horizonte nos últimos dias é impossível não começar o texto de hoje com uma famosa citação bíblica, contida no livro de Provérbios, capítulo 11, versículo 31 (Eis que o justo é punido na terra, quanto mais o ímpio e o pecador!).


É extremamente decepcionante saber que a grande maioria dos empresários do segmento de alimentação fora do lar, totalmente atentos em relação aos protocolos de prevenção à Covid-19, foram castigados (por causa de alguns poucos infratores), com esse decreto amargo da prefeitura que proíbe o consumo de bebidas alcoólicas nos bares e restaurantes da cidade.


Posso dizer seguramente que grande parte dos meus colegas se adequaram com rigidez a todas as normas impostas pois entendemos que respeitá-las garante não apenas o funcionamento do setor como também a saúde das pessoas e a manutenção de milhares de empregos e empresas. Por isso sermos penalizados por conta de meia dúzia de imbecis me deixa reflexivo acerca do real conceito de justiça.


Outro fato que também me desaponta com essa proibição é saber que as aglomerações registradas nas recentes campanhas eleitorais podem (sim) ter contribuído para esse aumento nos índices de transmissão da doença. E quem fala ou comenta sobre isso? O vírus está apenas na mesa do bar?

Não é justo que uma decisão arbitrária como a da PBH, tomada na calada da noite, seja efetivada sem análise e tampouco sem diálogo com o setor. Só para que você, caro leitor, tenha a informação, no período de 1º de setembro a 31 de outubro, quando os bares retomaram a venda de bebidas alcoólicas, as taxas de transmissão da Covid-19 bem como da ocupação de leitos de UTI e enfermarias em BH caíram, o que definitivamente comprova que nós não somos o grande problema da pandemia, como insiste em enxergar a administração municipal com seu comitê de epidemiologistas.



Agora que a mão pesada e insensata da PBH já deu seu veredito, deixo aqui algumas indagações: nossos representantes políticos têm algum plano para manter os empregos que serão ceifados? Faço essa pergunta porque assim como dois mais dois são quatro é óbvio que o nosso faturamento vai despencar, afinal ninguém sai de casa para comer uma porção de torresmo com suco de laranja. E a segunda parcela do 13º salário, que deverá ser paga daqui há exatos nove dias: vocês, representantes políticos, vão nos ajudar a pagar? Os nossos estoques estão lotados para as confraternizações de fim de ano. Nos deem uma dica do que fazer com eles, já que não terão mais saída?


Como diz o livro de Tiago, capítulo 1, versículo 5, ‘Se algum de vocês tem falta de sabedoria, peça-a Deus que a todos dá livremente, de boa vontade; e lhe será concedida’.

Quem sabe essa sabedoria não é o presente de Natal do qual tanto carecem os nossos caros gestores?


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