Delícias do cerrado mineiro

Coluna de Ricardo Rodrigues originalmente publicada no site do Jornal Hoje em Dia.



Em tempos de pandemia, onde, infelizmente, somos bombardeados por tantas coisas ruins, compartilho na coluna de hoje uma notícia boa: Cerca de 30 produtos vindos do cerrado mineiro serão vendidos na rede de supermercados Carrefour. A parceria entre a empresa e a Central do Cerrado, cooperativa que reúne diversas organizações comunitárias, entre elas a Cooperativa Regional de Base na Agricultura Familiar e Extrativismo (Copabase), da cidade de Arinos, na Região Noroeste de Minas Gerais, foi fechada no último dia 9, em Brasília.

Isso significa que a partir de agora, produtos como castanha de baru, polpa de fruta congelada, açafrão (cúrcuma), urucum, farinha de mandioca, óleo de coco, babaçu orgânico e açúcar mascavo serão vendidos nas unidades do grupo no Distrito Federal. Os itens vão ser ofertados na seção ‘Da Nossa Terra’, espaço destinado a agricultores que profissionalizaram seus processos produtivos.

Essa, por sinal, é a primeira vez que produtos com o selo da agricultura familiar, cultivados com base na economia solidária, serão vendidos por uma grande rede varejista no Brasil. A parceria aconteceu por meio de um trabalho de acesso a mercados intermediado pelo Sebrae em Minas Gerais.

A novidade merece sim ser bastante comemorada, principalmente porque ela corrobora com as premissas do Plano Estadual de Desenvolvimento da Cozinha Mineira, lançado em fevereiro pelo Governo do Estado.

Também é importante dizer que o fato de uma grande rede varejista recorrer a ícones gastronômicos tão singulares do nosso estado para comercializá-los em suas lojas, comprova mais uma vez as potencialidades da culinária de Minas, além de gerar divisas para trabalhadores da agricultura familiar, setor importantíssimo para a economia deste país que, infelizmente, foi outro fortemente afetado na pandemia. Segundo a Copabase, a crise sanitária da Covid-19 impactou toda a cadeia produtiva da cooperativa, que tinha 80% do seu faturamento vindo do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE). Com o fechamento das escolas, ela se viu obrigada a ampliar as possibilidades de oferta dos produtos e acessar os mercados de varejo para sobreviver.

Outro ponto positivo dessa iniciativa é que ela dá visibilidade a uma gama de produtos típicos de Minas Gerais para além das nossas fronteiras, já que eles serão comercializados no Distrito Federal. Isso sem falar que esses produtos desmistificam o reles conceito de que o nosso estado se resume a apenas pão de queijo e café. Cada macrorregião mineira tem suas singularidades e riquezas que, juntas constituem um mosaico surpreendente de cores e sabores.

Que mais notícias como essa se repliquem, pois a nossa terra é fértil e, sobretudo, saborosa. Aqui, sem dúvida, temos muito a oferecer!


Ricardo Rodrigues – Conselheiro Consultivo ABRASEL-MG e Coordenador da Frente da Gastronomia Mineira

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