Mercado delivery: oportunidade que se firma no horizonte

Atualizado: Fev 11

*Conteúdo originalmente publicado no jornal Hoje Em Dia

Pesquisa do Instituto Foodservice Brasil (IFB) revela que o delivery aumentou 23% entre 2017 e 2018 no Brasil. Ainda segundo o órgão, até o final de 2018, quase metade do tráfego em restaurantes foi de pessoas que comiam fora do local – a maioria, 40%, buscavam a comida para viagem e 8% pediam pelos aplicativos.


Outros dados que comprovam a ascensão exponencial desse mercado está, justamente, no boom do gigante iFood: entre julho de 2018 e o mesmo mês de 2019, este app de entregas mais que dobrou a quantidade de pedidos: passou de 8,5 para 20 milhões. E o número de restaurantes cadastrados na respectiva plataforma subiu de 50 mil em 2018 para 100 mil em julho de 2019. Já o Uber Eats, versão delivery do aplicativo de transportes Uber, tinha apenas 1600 estabelecimentos inscritos em janeiro deste ano, em 36 países. Oito meses depois, em setembro, o número de cadastros já estava na faixa dos cinco mil, crescimento de quase 213%.


Diante desses dados, muitos podem se perguntar: como fica, então, a essência do restaurante? Será que as pessoas vão se fechar, cada vez mais, na comodidade de seus apartamentos, tendo como únicas companhias o sofá, a comida já pronta e a Netflix?


Não acredito que o delivery chegou para exterminar o modelo tradicional de consumo com o qual estamos acostumados, embora seu crescimento seja causado, em partes, pelo aumento do enclausuramento, ocasionado pela falta de segurança, que acaba coagindo as pessoas a saírem, e, também, é claro, por uma tendência do brasileiro de buscar praticidade [devido à falta de tempo do dia a dia].


Contudo, vale ressaltar que este novo formato trata-se apenas de uma reconfiguração necessária do mercado para atender novas demandas e públicos mais conectados. [Segundo pesquisa da Fundação Getúlio Vargas de São Paulo (FGV-SP), existem hoje, no Brasil, 230 milhões de celulares ativos, número maior, inclusive, que a população do país, que é de 210,1 milhões, conforme o IBGE].


Os restaurantes físicos não vão acabar, mesmo porque, em se tratando de Minas Gerais, posso dizer seguramente que nós, apesar de gostarmos do conforto do lar, também não dispensamos uma mesa de bar repleta de amigos.


Prefiro enxergar essa nova realidade como mais uma possibilidade de incremento de vendas, ou seja, se cresce o número de clientes que gostam de receber a comida em casa, porque, você, empresário, não pode expandir seu leque e atendê-los, também, dessa forma?


O empreendedorismo caminha, inclusive, nessa direção: não enxergar determinadas situações como ameaça, mas sim como oportunidade. #Ficaadica!


Ricardo Rodrigues – Presidente ABRASEL-MG e Coordenador da Frente da Gastronomia Mineira

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