Queijo Minas artesanal: nosso ‘ouro branco’

*Conteúdo originalmente publicado no jornal Hoje Em Dia


Na primeira metade do século XVIII, a descoberta de ouro na região de Minas Gerais provocou uma intensa migração de pessoas para o nosso Estado em busca do enriquecimento fácil. Por aqui chegaram negociantes falidos, comerciantes, desocupados, imigrantes portugueses, todos com o sonho de uma oportunidade. Estima-se que a população da colônia tenha passado de 300 mil habitantes no ano de 1700 para mais de três milhões um século mais tarde.


O que os nossos irmãos lusitanos não imaginavam era que esta corrida pela exploração das jazidas, traria uma deliciosa descoberta. Ao chegarem no território, onde hoje é o nosso Estado, as famílias portuguesas perceberam que a região contava com condições geográficas e ambientais favoráveis para a produção do queijo, alimento comum no país de onde vinham. Porém, ao invés de usarem leite de ovelhas, recorreram ao leite cru da vaca, criando assim o famoso Queijo Minas artesanal.


Os anos se passaram, as técnicas para produção do QMA (Queijo Minas artesanal) foram aperfeiçoadas e ele tornou-se, indiscutivelmente, um ícone de nossa identidade culinária. Tanto é que em 2008, foi considerado patrimônio cultural imaterial brasileiro pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Hoje a iguaria é fonte de renda para nove mil produtores que atuam em mais de 500 municípios. Todos pertencentes à sete regiões produtoras caracterizadas: Araxá, Campo das Vertentes, Canastra, Cerrado, Serra do Salitre, Serro e Triângulo Mineiro. Juntos eles fabricam, diariamente, nada mais nada menos que 50 toneladas do produto. Esses números grandiosos contribuem para que Minas seja, atualmente, o maior produtor de queijo do Brasil, com cerca de 25% da produção nacional.


E o nosso know-how em produzir ‘ouros brancos’ de ótima textura, qualidade e sabor já é reconhecido, até mesmo, em âmbito internacional. Em junho de 2019, por exemplo, produtores de queijo de Minas Gerais conquistaram 50 medalhas no 4º concurso “Mondial du Fromage et des Produits Laitiers”, realizado em Tours, na França. Segundo a organização, foram 952 inscritos de 15 diferentes países. Os queijeiros do estado levaram desde medalhas de bronze até o superouro, maior condecoração da disputa.


O queijo é uma joia tão preciosa para nós, mineiros, a ponto de fomentar o turismo. Hoje já existem roteiros para que as pessoas conheçam e degustem a iguaria. Diante disso, deixo para você o convite: há quem pague em euro para fazer turismo pela Toscana (Itália), comer massa, tomar vinho e provar azeite, o que também é interessante e enriquecedor. Porém, não podemos esquecer das coisas fantásticas para descobrirmos em nosso próprio quintal. Temos riquezas tão sublimes que não perdem em nada para outras espalhadas mundo afora.


Ricardo Rodrigues – Presidente ABRASEL-MG e Coordenador da Frente da Gastronomia Mineira

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