Retomada da economia sim, mas gradual e consciente

*Conteúdo originalmente publicado no jornal Hoje Em Dia

Na última quarta-feira (22) recebemos uma boa notícia do Governo estadual. Por meio do programa ‘Minas Consciente’, o governador Romeu Zema (Novo) planeja retomar alguns setores da economia de forma gradual. As atividades, não é segredo dizer, já estão a quase 40 dias interrompidas devido à pandemia de coronavírus. Esperamos que os protocolos contidos neste guia sejam norteadores para que os 853 municípios espalhados pelo estado procedam sobre a retomada. Os serviços que serão liberados foram divididos em quatro ondas: essenciais, baixo, médio e alto risco. A autorização para que os estabelecimentos funcionem dependerá apenas de decreto municipal.

Essa medida é, sobretudo, assertiva e inteligente. Digo isso porque o isolamento social, [estratégia para impedir o colapso do Sistema de Saúde], foi implantado com sucesso em nosso estado. Prova disso é que o ritmo de infectados proporcionais pela COVID-19 desde o dia 20 de março [data em que o isolamento teve início] tem sido menor em Minas Gerais e em Belo Horizonte do que a média nacional e consideravelmente inferior ao do Rio de Janeiro e de São Paulo. Agora é a hora do Poder Público cuidar das pessoas jurídicas, fortemente lesadas por essa crise.

Nesse sentido espero que todas as prefeituras das 853 cidades de Minas entendam que a recomendação do Estado foi construída com base em estudos e análises chanceladas internacionalmente. Por isso, peço aos gestores das administrações municipais para colocarem no papel, de forma transparente, a seguinte conta: se a ocupação dos leitos públicos [do município] com pacientes acometidos pelo coronavírus não for superior a 50% porque não ter competência, capacidade e inteligência para reabrir a economia de forma gradual?

Que fique bem claro: assim como o governo do Estado não defendo a abertura total e irrestrita do comércio, mesmo porque é necessário tempo para que o ciclo da pandemia seja completado.

Se, porventura, o cenário mudar, ou seja, ocorrer um aumento considerável do número de casos e óbitos em uma região específica, todo e qualquer plano de reativação da economia deve ser recuado, afinal vidas devem ser colocadas em primeiro lugar, como de fato vem sendo.

O que as autoridades também não podem ignorar é a necessidade urgente das empresas por sobrevivência. Cerca de 30% dos estabelecimentos de alimentação fora do lar já foram ‘achatados’ por não terem saúde financeira suficiente para suportar esses quase 40 dias sem faturamento. Faltou a esses estabelecimentos os ‘respiradores’ que tanto se tornaram preciosos no salvamento de vidas afetadas pelo vírus. Será que agora eles chegam?

Ricardo Rodrigues – Presidente ABRASEL-MG e Coordenador da Frente da Gastronomia Mineira

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